Tristão - Uma Lágrima


Resoluções...

ilustração de Jeff Batista

A todo sentimento clichê

A toda peça démodé

A cigana que o futuro prevê

Eu digo venha

 

Quero ter esperanças de novo

Quero sonhar e agir como o povo

Pensar em carne comendo ovo

Por isso entenda:

 

Se para vida que queres alcançar

Terás que pescoços como escadas usar

E na lama um pé afundar

Se pergunte se vale a pena

 

Te digo para ouvir o seu coração

Essa coisa que bate sem razão

Só física, química e ação

Mas que aos poucos nos condena

 

Ou ignore  e talvez

O arranque de uma vez

A aja como em 2006

Dos outros não tenha pena

 

Mas se queres se redimir

Certo do errado discernir

Deixar tudo e reagir

Por favor não se contenha

 

Saúda 2007

Faça o que lhe compete

Que a situação logo se inverte

E com tudo que passou...

Aprenda.



Escrito por Estevão Ribeiro às 17h29
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Impressões

Zota Coelho e Estevão sobre foto

Tome meu desprezo como uma bênção

Minha exacerbada paixão pelo triste como uma canção

Minha mágoa pelo bom da vida como uma ação

Minha cara fechada como um reflexo do coração

Meus olhos perdidos, uma indagação

Minha fala corrida  como uma explosão

Meu sorriso disfarçado, uma paixão

Um golpe de sorte, do divino uma compaixão

Essas breves e pobres linhas, um pedido de atenção



Escrito por Estevão Ribeiro às 11h30
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É difícil ser triste

 

Ilustração de Will Walber e cores de Lula Borges

 

É difícil ser triste

Como podem pensar que não?

Um coração amargurado

Dando sopa no mercado

É um artigo em extinção

 

Por que essa gente insiste?

Não vêem a solução?

Me deixem um pouco de lado

Sozinho, curtindo calado

O meu maior momento de solidão

 

E que grandeza consiste

Esses atos de devoção?

Não sabem que é errado

Tentar me arrancar um sorriso forçado

Depois pensarem que foi uma boa ação

 

Mas essa gente um dia desiste

De agüentar minha indignação

Irão me deixar de lado

E verei que estava errado

E, contra-gosto,

Sentirei a desolação



Escrito por Estevão Ribeiro às 17h51
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Deu medo...

Bem, primeiramente peço desculpas ao pessoal por mais essa sumida. Não gosto de deixar mensagens onde geralmente escrevo os poemas, pois acredito que estraga o clima. Mas já que o fiz, tentarei ser mais frequente nas atualizações do tristonho personagem. A vocês eu desejo um feliz Ano Novo e que comecem 2006 com grandes promessas. E peço ainda um favor: coloquem as suas resoluções de ano novo nos comentários, para que vocês tenham em algum lugar de um triste coração suas promessas, e de vez em quando as procurem, para fazer dele algo mais que uma lágrima. Um bom 2006 para todos.

ilustração de Felipe

É de dar medo

Essa sua falta de apego

Por quem só lhe quer bem

Ainda encontra com aconchego

Nas ameaças de meu dedo

Uma forma de ir além

 

Ri do meio jeito

Ignora o que tenho no peito

Duvida de minha afeição

Diz que sou um tipo suspeito

Acho que não faço nada direito

Meus modos precisam de revisão

 

Mas não posso estar tão errado

Estamos do mesmo lado

Você tem que acreditar

Pois vivo pelo seu beijo molhado

Dado num momento regrado

Você não pode duvidar

 

O que posso fazer

Nada tenho mais a dizer

Para lhe fazer pensar

Que o que tenho a oferecer

Nada mais puro há de ser

Senão a minha maneira de te amar.

 



Escrito por Estevão Ribeiro às 14h11
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Meu rosto pelo chão

 

Ilustração de Zota

 

Num dia triste de verão

Andando sem direção

Encontro minha face

Jogada no chão

 

Me indago então

Sem ter uma explicação

O que faz aquela coisa

Largada sem razão

 

E levando para perto a mão

Em meio a convicção

Que se tratava de uma armadilha

Tramada pela mente ou o coração

 

Caio sem nenhuma noção

Dos danos com precisão

Tento levantar a todo custo

Daquela pequena confusão

 

Foi inútil minha dedicação

Só ganhei mais um arranhão

Pois estou bêbado;

Amanhã me acordarão...



Escrito por Estevão Ribeiro às 00h09
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Ilustração de Amauri Ploteixa

 

Chegaste cedo

Ontem mesmo lhe vi lá longe

Me flertando com respeito

Mas com um desejo sem igual

 

E exalando medo

Já não parece tão distante

Juntando forças não sei de onde

Fujo de forma irracional

 

Não sei se mereço

O que me propõe como fim

Não que seja de todo ruim

Não que seja de todo mal

 

Como disse não estou triste

Mas não queria que fosse agora

Mas já é hora de ir embora

É o que se paga por ser mortal



Escrito por Estevão Ribeiro às 01h40
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Rendição

Ilustração de Felipe CARVALHO (desculpe, Felipe!)

 

O que falar sobre você?

Sei que és vil, pois tomaste meu coração,

Me ouviste dizendo-te “não”

E mesmo assim quis-me ter

 

O que me forças a fazer?

Sou o homem da relação

Sei que tens mais educação

Mas não é assim que deveria ser!

 

Sou motivo de chacota!

Falam que não sou emancipado

Que não vivo sem você do lado

Desta semana sou a fofoca!

 

E ninguém mais me respeita

Dizem que não sou mais o mesmo

Vivo andando a esmo

Até meu pai de mim suspeita!

 

Mas agora quero ter certeza

Não adianta seu choro molhado

Não me encoste este corpo suado

Vamos pôr as cartas na mesa:

 

Tu és bruxa, minha filha?

Você me pôs um feitiço

E eu nem preocupado com isso

Deixei-me cair em sua armadilha?

 

Tudo bem, direi o queres ouvir

Dane-se se pelos machões é é ouvido

Pois deles virei inimigo

E de desafetos que quiserem vir

 

Eu te amo

Faça de mim o que quiser

Não sou forte nem inteligente

Pois sou homem, não sou mulher!



Escrito por Estevão Ribeiro às 19h05
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Fale...

Desenho de Felipe Carvalho

 

Fale, mas seja breve!

O sentimento de perda que me consome

Já me abastece de filosofia

Pelos próximos dez anos

 

Mas grite

Essa máscara me afasta de mim de tal forma

Que só assim poderei notar

O seu brado como um sussurro

 

Ou me ignore

Poupe-me da alegria de sua atenção

E me esfregue na cara

A minha vocação para o fracasso

 

Me prive do desgaste da luta

Ouça esse apelo covarde

Me deixe no chão úmido

Para que possa morrer em paz

 

Ou me salve

Prove-me que estou errado

Jogue-me na cara que és capaz

De mudar inteiramente a minha vida

 

Me diga que discorda

Que tudo que eu prego é inútil

Que nem a derrota

Eu tenho como dom

 

Tire-me o sentido

O mal que carrego comigo

O motivo por qual tenho vivido

Tire-me a vontade de chorar



Escrito por Estevão Ribeiro às 01h42
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De repente

 

 

De repente

Me senti quente

Quando você rapidamente

Passou por mim

Assim rente

Com um olhar envolvente

Que te mostrava tão carente

Me seduziu completamente

E isso me tornou

Uma pessoa diferente

E até pensei que essa mudança

Seria permanente

Mas eu, impertinente

Me comportei como um delinqüente

Que não enxerga um palmo à frente

Deixei você partir

E conseqüentemente

Sofri amargamente

Por perceber tarde demais

Que estava sozinho... novamente



Escrito por Estevão Ribeiro às 02h11
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Vamos...

Ilustração de Arabson



Escrito por Estevão Ribeiro às 13h13
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Dormir de máscara

Ilustração de Amauri Ploteixa

 

Certa vez eu tentei dormir de máscara.

Resolvi deixar aquela coisa que carregava no rosto ali mesmo e fui para cama.

Nada de tristeza ao tirá-la, nada de encarar meu rosto cheio de culpa e mágoa.

O engraçado foi olhar para o espelho da porta aberta do guarda-roupa.

Vi uma face branca, inexpressiva, numa posição nunca vista antes.

Não era a de sempre, a de espreita nem mesmo a de mágoa.

Era tão indefesa... Chegava a dar vergonha.

A minha primeira reação foi tentar tirá-la, mas resisti.

Não havia culpa, finalmente.

Nenhum princípio de ruga. A sobrancelha não sinalizava o choro.

Os lábios não arqueavam para baixo, formando um beiço vergonhoso.

Nada. Seria finalmente uma noite de paz...

Se não fosse uma maldita voz ecoando em minha cabeça:

- Durma bem, seu covarde...

 

Tirei a máscara e chorei até cair no sono...



Escrito por Estevão Ribeiro às 00h24
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Taciturno

 

Se não me chamassem de Tristão
Decerto não foi idéia minha
Talvez a coisa se complicasse
Imagine se eu me batizasse?
Ao invés desse nome publicado num jornal
Dado por alguém bem humorado
Fosse um de minha vontade
Eu me chamaria de...  ah, não sei
Não sei como chamar
Essa máscara que é outro eu
Talvez porque no final das contas
Ela não seja outra coisa a não ser eu
Um eu irresponsável
Que prefere a tristeza à redenção
Um ser da noite, taciturno
Taciturno? Taí...



Escrito por Estevão Ribeiro às 00h23
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Anjo

Ilustração de Amauri Ploteixa

 

Anjo, meu doce anjo

Pode deixar que eu me arranjo

Você pode ir e sozinho me deixar

Pois certamente eu irei suportar

 

Anjo, meu doce anjo

A quem quero enganar?

Esse espinho que trago no peito

Ninguém tem como tirar

 

Nem mesmo eu, meu doce anjo

Então, como eu me arranjo?

Desisto, pulo no abismo para lhe encontrar

E as conseqüências terrenas deixo de enfrentar?

 

Responda, meu doce anjo

O que devo encarar?

A vida, em seu desarranjo

Ou o fim, fácil de se tomar?

 

Como sempre, meu doce anjo,

Você acalenta todo o meu pranto

Por mínimos segundos enquanto durmo

E depois acordo em desencanto



Escrito por Estevão Ribeiro às 14h44
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Início de um choro

"Quando vejo o sangue da minha espada manchando a minha mão, penso que o precioso líquido que tirei do pobre diabo que escolheu o caminho errado não remedia os meus erros, tampouco me deixa mais feliz. Então penso em Elisa, minha pobre menina, que de inocente só tinha o olhar. O mesmo maldito olhar que não me deixa em paz."



Escrito por Estevão Ribeiro às 16h38
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