Tristão - Uma Lágrima


Dormir de máscara

Ilustração de Amauri Ploteixa

 

Certa vez eu tentei dormir de máscara.

Resolvi deixar aquela coisa que carregava no rosto ali mesmo e fui para cama.

Nada de tristeza ao tirá-la, nada de encarar meu rosto cheio de culpa e mágoa.

O engraçado foi olhar para o espelho da porta aberta do guarda-roupa.

Vi uma face branca, inexpressiva, numa posição nunca vista antes.

Não era a de sempre, a de espreita nem mesmo a de mágoa.

Era tão indefesa... Chegava a dar vergonha.

A minha primeira reação foi tentar tirá-la, mas resisti.

Não havia culpa, finalmente.

Nenhum princípio de ruga. A sobrancelha não sinalizava o choro.

Os lábios não arqueavam para baixo, formando um beiço vergonhoso.

Nada. Seria finalmente uma noite de paz...

Se não fosse uma maldita voz ecoando em minha cabeça:

- Durma bem, seu covarde...

 

Tirei a máscara e chorei até cair no sono...



Escrito por Estevão Ribeiro às 00h24
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Taciturno

 

Se não me chamassem de Tristão
Decerto não foi idéia minha
Talvez a coisa se complicasse
Imagine se eu me batizasse?
Ao invés desse nome publicado num jornal
Dado por alguém bem humorado
Fosse um de minha vontade
Eu me chamaria de...  ah, não sei
Não sei como chamar
Essa máscara que é outro eu
Talvez porque no final das contas
Ela não seja outra coisa a não ser eu
Um eu irresponsável
Que prefere a tristeza à redenção
Um ser da noite, taciturno
Taciturno? Taí...



Escrito por Estevão Ribeiro às 00h23
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Anjo

Ilustração de Amauri Ploteixa

 

Anjo, meu doce anjo

Pode deixar que eu me arranjo

Você pode ir e sozinho me deixar

Pois certamente eu irei suportar

 

Anjo, meu doce anjo

A quem quero enganar?

Esse espinho que trago no peito

Ninguém tem como tirar

 

Nem mesmo eu, meu doce anjo

Então, como eu me arranjo?

Desisto, pulo no abismo para lhe encontrar

E as conseqüências terrenas deixo de enfrentar?

 

Responda, meu doce anjo

O que devo encarar?

A vida, em seu desarranjo

Ou o fim, fácil de se tomar?

 

Como sempre, meu doce anjo,

Você acalenta todo o meu pranto

Por mínimos segundos enquanto durmo

E depois acordo em desencanto



Escrito por Estevão Ribeiro às 14h44
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Início de um choro

"Quando vejo o sangue da minha espada manchando a minha mão, penso que o precioso líquido que tirei do pobre diabo que escolheu o caminho errado não remedia os meus erros, tampouco me deixa mais feliz. Então penso em Elisa, minha pobre menina, que de inocente só tinha o olhar. O mesmo maldito olhar que não me deixa em paz."



Escrito por Estevão Ribeiro às 16h38
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